• Rafael Oliveira

Comer gordura faz bem para sua cabeça. Acredite.



Há anos somos bombardeados com a ideia de que as gorduras são ruins, principalmente as saturadas. Tirar a pele sequinha e crocante do frango com certeza gera tristeza, mas, teoricamente, protege seu coração. Nessa complexa rede nutricional o cérebro, silente e metódico, nunca é relembrado. Afinal, seus sintomas, quando presentes, são definidos como mero acaso genético. Será que a enxaqueca sofre interferência da alimentação? Acho que não. Ou o famoso Mal de Parkinson? Posso preveni-lo com o que como? Com certeza não. Fato é que o encéfalo é o maior consumidor energético do corpo. A maior parte do que você come é destinada para abastecer seus neurônios. Desse modo, hábitos alimentares equivocados favorecerão o desenvolvimento de diversas patologias. Simples assim. Se encher o tanque de um carro com a adulterada gasolina brasileira já afeta negativamente o motor, imagine quando trata-se do corpo humano?

A história médica possui diversos acertos e incontáveis erros. Descobrir a tecnologia que desenvolveu a tomografia e a ressonância modificou o manejo de mazelas neurológicas de forma positiva. Agora, quando Ancel Keys determinou, empiricamente diga-se de passagem, que o consumo gorduroso era prejudicial para organismo, ele estava dando um grosseiro passo para semear o maior erro médico já visto. Um homem, talvez teimoso, talvez ignorante, impactou violentamente gerações ao concluir que a ingesta lipídica era algo que deveria ser evitado. Os números que ilustram as doenças crônicas contemporâneas não deixam dúvidas a respeito.

Seu cérebro é basicamente composto por 60% de gordura. Se tal macronutriente fosse prejudicial, porque a evolução tornou-o indispensável à concepção neuronal? Ancel Keys era superior à evolução? Felizmente, a passos lentos mas concisos, as pessoas, através de estudos mais adequados, vêm dando-se conta de que a história alimentar a nós transmitida não passa de uma dantesca falácea sem nenhum embasamento técnico. Estudos atuais confirmam que a ingesta gordurosa, onde inclui-se lipídeos saturados, colabora com a cognição e é útil no tratamento de epilepsias (1) . Além disso, o manejo farmacológico visando a redução do colesterol para prevenir mazelas circulatórias cerebrais não encontra sustentação bibliográfica adequada. Muitos estudos já afirmam que privar o cérebro de gordura não influencia na incidência de injúrias vasculares encefálicas (2). As pesquisas que tentam contrariar tal postura, geralmente, possuem vícios metodológicos e têm as conclusões manuseadas para amenizar a realidade (3). Afinal, contrariar conceitos entremeados em nossa cultura e postar-se contra a indústria farmacêutica não é nada aconselhável. É fato peremptório que o colesterol é vital para a função neurológica normal onde inclui-se plasticidade, transmissão, aprendizado e memória. Portanto, devemos disponibilizá-lo em quantidades adequadas para o bom funcionamento do cérebro. Embora achemos que o acaso genético é o verdadeiro vilão desse importante órgão, muitos costumes nutricionais equivocados podem representar um perigo muito maior.


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Dr Rafael Oliveira
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