• Rafael Oliveira

Vírus John Cunningham



O vírus John Cunningham (vírus JC) é um poliomavirus humano, sendo sua prevalência estimada em 80% na população mundial. Geralmente, acarreta infecções assintomáticas na infância, permanecendo latente nos rins e em tecidos linfáticos durante o desenvolvimento do individuo. A primoinfecção provavelmente se dá por via respiratória. Na presença de um sistema imunológico sadio, o vírus JC não oferece riscos maiores. Todavia, na vigência de um comprometimento da imunidade por qualquer causa o patógeno é reativado e, aderido aos linfócitos B, adquire a capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica (membrana que protege o cérebro) podendo destruir seletivamente oligodendrócitos (células responsáveis pelo suporte e pela nutrição dos neurônios). Tal agressão dará início a um danoso processo de desmielinização (destruição da bainha de mielina que se refere a uma capa de proteção das células nervosas) da substância branca encefálica. Isso desencadeará uma mazela conhecida por leucoencefalopatia multifocal progressiva (LEMP). Portanto, é comum médicos solicitarem a quantificação viral em pacientes imuno comprometidos ou que necessitarão usar fármacos imunossupressores. Essa postura visa antecipar-se a um perigoso extermínio neuronal com consequências catastróficas. Em indivíduos portadores de esclerose múltipla é comum o uso de uma droga chamada de natalizumabe. Todavia, seu uso crônico (mais de 2 anos) está associado ao desenvolvimento de LEMP, ainda mais em pacientes com vírus JC positivo. Desse modo, é interessante monitorar a atividade viral durante o curso farmacológico com tal fármaco.


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Dr Rafael Oliveira
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