• Rafael Oliveira

Dissecção de Artéria Vertebral



Um acidente vascular cerebral isquêmico pode ser resultado de várias circunstâncias orgânicas. Geralmente, focamos unicamente nos distúrbios cardioembólicos e ateroscleróticos e acabamos nos esquecendo de causas menos comuns que, muitas vezes, podem ser facilmente identificadas e até tratadas. Entre elas podemos destacar as mazelas vasculares (dissecção de grandes vasos), hematológicas, inflamatórias, infecciosas e metabólicas. O cérebro é irrigado por poucos mas eficientes vasos. Entre eles, podemos destacar as artérias vertebrais e as carótidas. Essas irão originar um complexo sistema circulatório que nutre com extrema eficácia todas as regiões encefálicas. Várias patologias podem afetar o bom funcionamento desses vasos, fato esse que pode interromper drasticamente o fluxo sanguíneo. Entre elas podemos destacar a dissecção, uma condição facilmente diagnosticada através de exames de imagem. Uma artéria é composta por três camadas, do exterior para o interior, respectivamente: a adventícia, a média e a intima. A última é fundada por células endoteliais que criam a necessária fluidez para a circulação do sangue. Em uma dissecção, a túnica média se separa da intima secundário a um evento hemorrágico. Essa manifestação gera a redução da luz do vaso, fato esse que poderá ser o causador de uma obstrução. Por conseguinte, o órgão alvo terá seu suprimento sanguíneo extinto, configurando um infarto. Tal aflição pode ser espontânea ou traumática. Na primeira situação, geralmente, existe história de trauma não representativo na região cervical, fato esse muitas vezes esquecido pelo paciente. Outras etiologias englobam hiperextensão considerável do pescoço, uso de anticoncepcionais orais, sexo feminino e infecções recentes. É corriqueiro reservar o termo dissecção vertebral traumática para circunstâncias onde é evidente a ocorrência de uma agressão perfurante ou de golpes diretos na nuca e no pescoço. A principal manifestação clinica é a dor na região cervical e cefaleia ipsilateral. Portanto, vale a pena investigar melhor a história clinica do doente e, quiçá, indicar uma investigação complementar. O tratamento dessa aflição é um campo controverso. Muitos especialistas indicam a anticoagulação como meio de prevenir um infarto cerebral. O estudo CADISS (Cervical Artery Dissection in Stroke Study) randomizou 250 pacientes com o intuito de comparar anticoagulação versus antiagregação plaquetária na evolução de pacientes com dissecção de vasos do pescoço. Ambos os métodos foram eficientes em prevenir AVC isquêmico e morte (1). Com a evolução dos procedimentos endovaculares tem-se cogitado sua indicação para tal patologia. O VISC foi um estudo randomizado prospectivo que avaliou os resultados do uso de stent em dissecção da artéria vertebral. Sua conclusão é que, apesar de parecer um procedimento seguro e com baixas taxas de complicações, ainda é necessário estudos de fase III para determinar a interferência positiva na prevenção de AVC isquêmico (2). Já outra análise aleatória questionou a necessidade de estudos de fase III visto que o tratamento clinico é eficaz e a colocação de stent está associada a um maior risco de complicações (3). Portanto, envolve ainda em dúvidas a terapia para dissecção de artéria vertebral deve ser medicamentosa.


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Dr Rafael Oliveira
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