Tratamento das recidivas dos glioblastomas
- Rafael Oliveira
- 12 de jan.
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Glioblastoma é um glioma grau 4, altamente maligno e com o prognóstico sombrio. Muito se discute sobre sua terapia visto que os resultados atuais ainda não conseguem promover grande sobrevida. Uma situação que gera bastante debate entre os especialistas é o que fazer em recidivas tumorais. Após diagnosticado, um paciente de forma geral, passa por procedimento cirúrgico seguido de quimiorradiação. Todavia, em grande parte dos casos ocorre a redivida da lesão. Quando isso acontece, qual a melhor conduta a ser seguida?
Ringel F et al em estudo retrospectivo multicêntrico co 503 pacientes concluiram que a reoperação em glioblastomas recidivados prolonga a sobrevida com taxa de morbidade suportável (Ringel F, Pape H, Sabel M, Krex D, Bock HC, Misch M, Weyerbrock A, Westermaier T, Senft C, Schucht P, Meyer B, Simon M; SN1 study group. Clinical benefit from resection of recurrent glioblastomas: results of a multicenter study including 503 patients with recurrent glioblastomas undergoing surgical resection. Neuro Oncol. 2016 Jan;18(1):96-104. doi: 10.1093/neuonc/nov145. Epub 2015 Aug 4. PMID: 26243790; PMCID: PMC4677413).
Brotos D et al em revisão sistemática de 2021 compactuaram com tal postura sugerindo haver beneficios na sobrevida global com reintervenção cirúrgica nas recidivas (Botros D, Dux H, Price C, Khalafallah AM, Mukherjee D. Assessing the efficacy of repeat resections in recurrent glioblastoma: a systematic review. Neurosurg Rev. 2021 Jun;44(3):1259-1271. doi: 10.1007/s10143-020-01331-1. Epub 2020 Jun 13. PMID: 32533385), sendo esse o mesmo resultado encontrado por Bloch O et al e estudo retrospectivo de 2012 (Bloch O, Han SJ, Cha S, Sun MZ, Aghi MK, McDermott MW, Berger MS, Parsa AT. Impact of extent of resection for recurrent glioblastoma on overall survival: clinical article. J Neurosurg. 2012 Dec;117(6):1032-8. doi: 10.3171/2012.9.JNS12504. Epub 2012 Oct 5. PMID: 23039151).
Montemurro N et al em estudo retrospectivo de 2021 com 63 pacientes concluiram também haver melhora na sobrevida com ressecção cirúrgica em recidivas. Ademais, descobriram fato interessante que talvez, no futuro, possa auxiliar em terapias complementares. O genoma do glioblastoma se modificou entre o primeiro e o segundo ato cirúrgico em alguns pacientes. Esse fato descata a evolução dinâmica tumoral, abrindo nova vertente de pesquisas (Montemurro N, Fanelli GN, Scatena C, Ortenzi V, Pasqualetti F, Mazzanti CM, Morganti R, Paiar F, Naccarato AG, Perrini P. Surgical outcome and molecular pattern characterization of recurrent glioblastoma multiforme: A single-center retrospective series. Clin Neurol Neurosurg. 2021 Aug;207:106735. doi: 10.1016/j.clineuro.2021.106735. Epub 2021 Jun 8. PMID: 34119900).
A reirradiação pode ser a escolha em algumas recidivas 6 meses após a terapia inicial (Yeboa, D.N.; Braunstein, S.E.; Cabrera, A.; Crago, K.; Galanis, E.; Hattab, E.M.; Heron, D.E.; Huang, J.; Kim, M.M.; Kirkpatrick, J.P.; et al. Radiation therapy for WHO grade 4 adult-type diffuse glioma: An ASTRO clinical practice guideline. Pract. Radiat. Oncol. 2025, 15, 45–67).
Já alternativas a temozolomida ainda não apresentam resultados consideráveis. A lomustina é usada nos casos de recidiva e MGMT não metilado mas ainda sem impactar de forma considerável nas taxas de sobrevida (Fu X, Shi D, Feng Y. The Efficacy and Safety of Adjuvant Lomustine to Chemotherapy for Recurrent Glioblastoma: A Meta-analysis of Randomized Controlled Studies. Clin Neuropharmacol. 2022 Nov-Dec 01;45(6):162-167. doi: 10.1097/WNF.0000000000000525. PMID: 36383914).
Portanto, fica claro que um glioblastoma recidivado em um paciente com adequadas condições clinicas, a reoperação é uma conduta apropriada. Alguns casos podem, também, ser submetidos a reirradiação.




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