• Rafael Oliveira

Novo tratamento para enxaqueca. Será que serve para você?



A enxaqueca é uma patologia tão prevalente que diversos estudos são efetivados de modo constante com o intuito de aliviar a aflição com que muitos pacientes convivem diuturnamente. O grande foco terapêutico tem sido as abordagens preventivas que, com tratamento constante, visam reduzir o número de crises álgicas. Atualmente, essa modalidade de conduta emprega fármacos consagrados para outros fins. Em outras palavras, pegamos “emprestadas” determinadas drogas para amenizar o sofrimento de indivíduos que convivem com essa complicada mazela. Esmiuçando a fisiopatologia da enxaqueca, concluiu-se que seus portadores produzem uma quantidade elevada de um elemento conhecido por CGRP, abreviação do termo, calcitonin gene-related peptide. Estudos afirmam que tal molécula atua na vasodilatação dos vasos, processo esse associado ao mecanismo da cefaléia. Em posse desse informe passou-se a investigar a ação de anticorpos monoclonais contra o receptor da CGRP. Em tese, bloqueando a atividade dessa substância a enxaqueca deveria ser aliviada. Entre essas drogas podemos destacar o erenumabe (AMG 334) e o fremanezumabe.

O período Lancet publicou em 2017 um estudo com 667 participantes que analisou a prescrição de doses de 70 a 140mg de erenumabe. Os surpreendentes resultados demonstraram redução das crises álgicas mensais com segurança semelhante ao placebo (1). O New England Journal of Medicine seguiu o mesmo caminho, determinando que erenumabe, administrado por via subcutânea na dose mensal de 70 mg ou 140 mg, diminuiu significativamente a frequência de cefaleia, os efeitos das enxaquecas nas atividades diárias e o uso de medicação específica para enxaqueca aguda durante um período de 6 meses (2). Um ensaio clinico randomizado de fase 2 concluiu que o AMG 334 70 mg pode ser uma terapia potencial para a prevenção da enxaqueca (3).

O mesmo New England Journal of Medicine publicou um artigo detalhando o uso de fremanezumabe. Nesse, afirmou que o uso de tal substância pode ser usado como tratamento preventivo para enxaqueca, resultando em diminuição da frequência das crises (4). Portanto, existem robustos indícios que afirmam que os anticorpos monoclonais são eficazes na prevenção dessa mazela (5). Todavia, ainda não foram liberados para uso pela ANVISA para tal fim. Caso você seja portador de tal injúria, discuta essa possibilidade com seu médico. Em breve, teremos mais um armamento na guerra contra essa debilitante situação. Quem sofre, entende o que falo.


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Dr Rafael Oliveira
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