• Rafael Oliveira

Aneurisma cerebral: Endovascular ou cirurgia aberta?



Com o advento de técnicas minimamente invasivas, a medicina ganhou uma nova dimensão, oferecendo aos pacientes possibilidades menos agressivas com resultados semelhantes às intervenções convencionais. Todavia, apesar de pesquisas corroborando com os manejos mais modernos, muitos profissionais ainda mantém postura cabreira frente a patologias vasculares que afligem o Sistema Nervoso Central. Há vários anos, aneurismas cerebrais são tratados através de procedimento cirúrgico com clipagem da mal formação. As abordagens endovasculares vieram, paulatinamente, abrindo seu espaço na gama terapêutica de tais lesões. Com isso, atualmente, existe grande debate no momento de decidir por qual caminho deve-se optar. De um lado os profissionais mais conservadores defendendo a tradicional microcirurgia. De outro, os neurocirurgiões intervencionistas que avançaram junto com as novas técnicas e, agora, pregam tratar-se de uma opção mais efetiva e segura. Frente a tal embate, estudos passaram a ser concebidos para dirimir tal dúvida.

O ensaio internacional de aneurisma subaracnóideo (ISAT) é um delineamento randômico com 2.143 participantes que concluiu que, em aneurismas rotos elegíveis para tratamento endovascular ou cirurgia, os resultados clínicos após um ano de seguimento foram melhores em pacientes submetidos à primeira opção (1). Já um ensaio randomizado com 48 indivíduos postou-se de modo mais categórico, afirmando não ter evidenciado diferença significativa na morbi-mortalidade entre as duas modalidades após um ano (2). O The Cochrane Database of Systematic Reviews analisou a literatura disponível e concluiu que em pacientes com boas condições clinicas após uma hemorragia subaracnóidea secundária ao rompimento de um aneurisma, submetê-los a um procedimento endovascular está associado a um melhor prognóstico (3).

Diante das evidências, embora possa haver certa reticência conservadora em aceitar as novas possibilidades terapêuticas, a opção pela intervenção endovascular têm mostrado-se mais efetiva que a cirurgia convencional no tratamento de aneurismas cerebrais. Aliás, em algumas regiões européias, a opção minimamente invasiva tem feito com que cirurgiões percam a prática em executar o procedimento aberto (4). Esse fato está atrelado a uma pior morbi-mortalidade, conduzindo médicos recém formados a abdicar em definitivo da cirurgia convencional.


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Dr Rafael Oliveira
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