• Rafael Oliveira

A anti-coagulação pode ser algo mais fácil?



Uma das principais causas de isquemia cerebral é a formação de trombos, que, ao entrar na circulação, transitam livremente até deparar-se com um pequeno vaso sanguíneo interrompendo seu fluxo. Esses, geralmente, estão relacionados com um quadro cardíaco chamado de fibrilação atrial não valvar. Nesse contexto, é fundamental promover, literalmente, um “afinamento” do sangue, com o intuito de prevenir desastrosas interrupções. Durante várias décadas, a varfarina foi o fármaco de escolha para tal função. Embora apresente satisfatório poder anti-coagulante, o controle clinico deve ser rigoroso, sob pena de catastróficos sangramentos. Em vista disso, novas drogas têm sido estudadas para facilitar o manejo diário e o conforto do paciente, não esquecendo a eficácia preventiva da opção tradicional. Entre as recentes possibilidades, a dabigatrana vem sendo bastante discutida, com resultados bem promissores.

Pesquisas procuram, diuturnamente, comprovar a eficácia desse medicamento, mas seu uso foi, basicamente, liberado com o estudo RE-LY. Tratou-se de um ensaio aleatório, com 18.113 participantes, onde ficou definido que a prescrição de 110mg duas vezes ao dia de dabigatrana é tão efetiva quanto a varfarina na redução de acidentes vasculares cerebrais isquêmicos (ACVi) e resulta em menores índices de sangramento intra-craniano (1). Optando por 150mg duas vezes ao dia as taxas de AVCi são inferiores as obtidas com o uso de varfarina, mas as hemorragias encefálicas tornam-se mais frequentes, equiparando ambos os medicamentos (1). Em uma revisão sistemática, os autores concluíram que a dabigatrana é tão efetiva quanto a varfarina para prevenir AVCi, apresentando, ainda, menores risco de sangramentos cerebrais (2).

Com a literatura disponível é possível acreditar que a dabigatrana é uma alternativa viável à tradicional varfarina em casos onde existe fibrilação atrial não valvar e a consequente necessidade de prevenir acidente vascular cerebral isquêmico. Além disso, possui maior facilidade de controle clinico e torna o dia-a-dia dos pacientes muito mais confortável. Outros fármacos também tem sido propostos para tal fim, como a rivaroxabana e a apixabana, sendo que as análises desse último sugerem pequena vantagem. Infelizmente, os órgãos reguladores brasileiros ainda não disponibilizam como alternativa para casos específicos nenhum desses medicamentos.


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Dr Rafael Oliveira
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