• Rafael Oliveira

Pode-se tratar esclerose múltipla com vitamina D?



A medicina encara, diuturnamente, situações complexas e sem cura. Doenças desafiam a ciência e acabam, muitas vezes, vencendo a batalha contra inúmeros pacientes. A esclerose múltipla (EM) é uma patologia degenerativa, incurável, onde a terapia disponível visa, somente, proporcionar um leve retardo da progressão da injúria e uma melhor qualidade de vida aos seus portadores. Nesse contexto, diversos tratamentos alternativos têm sido pesquisados com o real intuito de fornecer chances mais claras e efetivas aos desafortunados com tal condição.

A vitamina D (colecalciferol) é um esteróide que tornou-se alvo de várias pesquisas que procuram vincular sua relação com a EM. Embora os indícios sejam animadores, ainda não existe prova cabal de sua efetividade nesse específica circunstância. Menosprezar ensaios controlados sob o pretexto de que seria anti-ético não corrigir uma identificada hipovitaminose não é argumento suficientemente potente para transformar certa conduta em algo definitivo. Sabe-se, atualmente, através de estudo aleatório, que níveis reduzidos de colecalciferol estão associados a um aumento da suscetibilidade à EM. Todavia, não pode-se afirmar que índices elevados de tal substância possam prevenir ou tratar essa debilitante doença (1). Outros estudos dizem que reduzidas taxas de vitamina D no momento do diagnóstico possuem relação direta com atividade e progressão negativa da patologia (2). Uma revisão sistemática definiu com brilhantismo essa intrincada situação. A suplementação com colecalciferol parece ser um tratamento promissor e merece maiores investigações. Contudo, devido à escassez de ensaios randomizados não pode-se afirmar, indubitavelmente, que exista uma relação causal entre tal esteróide e EM (4). Portanto, fica claro que é possível animar-se com as possibilidades. Entretanto, é de fundamental importância promover uma análise controlada para, definitivamente, tornar a vitamina D um tratamento consagrado para essa injúria encefálica.

Os números laboratoriais ideias ainda não estão bem esclarecidos. Alguns autores sugerem manter acima de 50 nmol/L, sendo que outros consideram que o adequado seriam taxas entre 75 e 125 nmol/L, valores ainda declarados como coerentes (3). As doses seguras para consumo também geram controvérsias. Pesquisas não randômicas esclarecem que 4.000 a 40.000 UI diárias são quantidades garantidas, não afetando perigosamente o metabolismo do cálcio (5). Considero mais apropriado corrigir a deficiência e, posteriormente, manter doses de manutenção. Tudo em exagero não proporciona muitos benefícios.

Fato é que, apesar da ausência de provas definitivas, as evidências atuais sugerem que a atividade imunomoduladora da vitamina D possui influência benéfica e significativa na progressão da esclerose múltipla. Portanto, manter os olhos atentos sobre os níveis plasmáticos de colecalciferol não excluem a alternativa de também aderir aos tratamentos já consagrados. A conversa médico-paciente deve clarear os riscos e benefícios. Assim, os resultados serão mais eficientes e satisfatórios.


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Dr Rafael Oliveira
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