• Rafael Oliveira

Tefe. Um saudável substituto do trigo?


Tefe
Tefe

A questão alimentar é algo muito interessante e até mesmo intrigante. O corpo humano responde de forma muito mais efetiva e saudável a dietas pobres em carboidratos. Todavia, mesmo sendo um macronutriente dito não essencial, o carboidrato é tido como algo indispensável a boa saúde. Dizem que ele é nossa fonte de energia. Grande parte das pessoas (a maioria) segue acreditando nessa crença moderna. Esquecem os longiquos anos de evolução que talharam nosso metabolimso de uma forma totalmente diferente. Mas o mais curioso disso tudo é que mesmo as pessoas que entendem um pouco mais sobre dieta e procuram melhorar sua alimentação via ingesta low carb ficam constantemente a procura de substitutos para os carboidrtaos mais danosos. Um exemplo é o trigo. Cereal altamente flexível e mutio presente nos alimentos atuais, o trigo é o fundo básico de inúmeros panificados. E é muito comum ser o primeiro (ou segundo – não esquecendo o açúcar) que as pessoas tentam substituir. Irei iniciar uma dieta mais saudável. O que posso comer ao invés do famoso pãozinho de trigo? Embora a ato da substituição seja algo dispensável e nada lógico ele é muito comum. Um dos novos queiridinhos para substutituir o trigo é o tefe.

O Eragrostis tef é um cereal comum na Etiópia e na Eritréia. É rico em cálcio, ferro, cobre, alumínio, bário, fósforo e tiamina, sendo também muito rico em carboidrato. Uma caracteristica que está fortalecendo a procura pelo tefe é que tal grão não possui glúten e tem considerável carga de fibras (2). E, sendo possível transformá-lo em farinha, passou a ser uma alternativa a quem procura substituto para os tradicionais panificados de trigo. Assim, passaram a ser produzidos estudos com o intuito de comprovar o efeito metabólico do tefe.

Um estudo do periódico Plos One de agosto de 2018 testou em camudongos o efeito metabólico do tefe versus trigo (1). No próprio estudo os autores destacam que a farinha de tefe utilizada possuia 74,5 g de carboidrato em 100g de tefe contra 75,9g de carboidrato em 100g de trigo. Ou seja, a quantidade de carboidratos era muito semelhante. A principal diferença está no fato de que o tefe é possuidor de maior quantidade de fibras, ou seja, deveria, em tese, ter sua absorção intestinal mais retardada. No estudo são comparadas algumas modalidades de alimentação. Darei mais destaque a dieta alimentar com tefe versus dieta alimentar com trigo visto que foi a comparação que supostamente apresentou diferenças mais marcantes.


1) Inicialmente, é muito importante destacar que o tefe foi comparado com o trigo. Em outras palavras, sendo o trigo um cereal metabolicamente muito danoso, ter pequenas vantagens sobre ele não significa muita coisa.


2) Sobre o ganho de peso, o estudo mostrou que o grupo que ingeriu o tefe teve aumento ponderal. Todavia, esse incremento na balança ainda foi 12,5% menor do que o grupo que ingeriu trigo. Ou seja, ambos (como carboidratos) geram aumento de peso. Independente do valor, esse ganho nunca é muito saudável.


3) Houve aumento da glicose sanguínea e da insulina em ambos os grupos, mas com maior intensidade no grupo que consumiu trigo. Todavia, ao se observar os gráficos disponibilizados é possível perceber que o grupo que ingeriu tefe, também apresentou pico glicêmico e insulinêmico marcante, mesmo que inferior ao do trigo. Em outras palavras, embora com menor intensidade quando comparado ao danoso trigo, o tefe também gera efeitos metabólicos padrão dos carboidratos.


4) É feita também uma análise sobre níveis inflamatórios corporais onde o tefe se mostra superior, o que não é nada chocante quando se conhece o mínimo sobre o trigo.


A conclusão sobre esse estudo é a seguinte. O trigo é mais danoso que o tefe? Sim. O tefe é bom? Não. Afinal ele se comporta como qualquer carboidrato. A diferença é que por ele ser mais rico em fibras, dispara a glicose e a insulina de forma mais lenta e menos acentuada que o trigo. Existem ainda poucos estudos que falam sobre o tefe. Entretanto, esse novo cereal dificilmente fugirá de dois conceitos bem consagrados.


1) Qualquer coisa é melhor que o trigo. Alguns dizem que até o açúcar.


2) O tefe, sendo um carboidrato, sempre se comportará como um carboidrato.


Parece meio óbvio, mas tem certas coisas que devem ser repetidas a exaustão. E lembre-se de um fato. Uma reeducação alimentar adequada não visa substituições, mas sim adotar o que lhe faz bem e ignorar em definitivo (ou quase sempre) os alimentos que lhe fazem mal.

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