• Rafael Oliveira

Ressonância Nuclear Magnética

Ressonância Nuclear Magnética

Atualmente, o diagnóstico por imagem é uma ferramenta indispensável na neurocirurgia e na neurologia. Diversas doenças passaram a ter uma elucidação muito mais precisa e os tratamentos puderam ser mais efetivos e individualizados. Entre esses exames podemos destacar a ressonância magnética. Apesar de ser uma ferramenta muito comum e muito solicitada, poucos médicos realmente entendem do que se trata e como podemos a utilizar de forma ainda mais eficiente.


Inicialmente, vale destacar que a ressonância gera imagens a partir de um campo magnético e ondas de radio. A grosso modo, a ressonância magnética gera uma interação entre um átomo e um campo magnético promovido externamente. Para tanto, é necessário individualizar um átomo do corpo para relacionar-se com esse campo magnético externo. O corpo humano possui diversos átomos. Entre eles, o escolhido para interagir com a ressonância foi o hidrogênio e isso ocorreu por alguns motivos.


1) O hidrogênio é muito abundante no corpo humano;


2) O próton do hidrogênio é mais sensível a ressonância por possuir maior tempo magnético;


3) O hidrogênio presente no tecido normal se mostra muito diferente do presente no tecido patológico e que ajuda no diagnóstico.


O átomo de hidrogênio possui como núcleo o próton. Os prótons são partículas carregadas positivamente que possuem uma propriedade chamada de “spin” ou “momento angular”. Isso quer dizer que os prótons tendem e ficar girando em volta do seu próprio eixo como um peão. Quando esses prótons são expostos a um considerável campo magnético (o campo magnético da Terra não possui força para tanto), eles tendem a se alinhar com esse campo. E a ressonância executa tal missão. Gera um campo magnético suficientemente forte capaz de alinhar os prótons presentes no hidrogênio. Esse alinhamento pode ser paralelo ao campo (nível de baixa energia) ou antiparalelo ao campo (nível de alta energia).


Nesse momento, o aparelho de ressonância dispara uma onda de radiofrequência (pulso) sobre esses prótons (como se fosse um choque). Esse estimulo faz com que eles invertam seu alinhamento com o campo magnético. A onda de radiofrequência é então desligada e os prótons procuram novamente se alinhar como estavam sob a influência do campo magnético inicial. Essa tentativa de realinhamento, ou relaxamento, passa a liberar energia. E essa liberação de energia eletromagnética é captada pelo aparelho de ressonância. Quanto mais energia de prótons um tecido liberar mais clara será a sua imagem final. Quanto menos energia de prótons um tecido liberar, mais escura será sua imagem final. Além disso, todo o processo de relaxamento dos prótons (ou realinhamento) pós choque via radiofrequência é capaz de gerar energia. E essa pode ser captada e fornecer mais informações. O relaxamento protônico consiste em dois processos. O tempo de relaxamento 1, ou T1, e o tempo de relaxamento 2, ou T2. Ambos são específicos para cada tecido.


· T1 - É o tempo necessário para que 63% dos prótons se alinhem novamente com o campo magnético inicial.


· T2 - É o tempo necessário para que 37% dos prótons parem de girar após termino do estimulo via ondas de radio.


Com essas informações, o aparelho de ressonância passa a montar as imagens em 2D ou 3D nos ajudando a definir se o tecido estudado está sendo afetado por alguma patologia.


Para contribuir ainda mais no diagnóstico e diferenciar possíveis lesões, a ressonância pode construir diversas sequências. As mais comuns são:


· T1


· T2


· Recuperação da inversão atenuada por fluidos (FLAIR)


· Densidade protônica (PD).


Essas imagens serão produzidas a partir da combinação variável do tempo de repetição (TR) e do tempo de eco (TE). O primeiro representa a quantidade de tempo entre sequências de pulso de radio sucessivas aplicadas a um mesmo tecido. E o segundo é o tempo entre a aplicação do pulso de radiofrequência ao tecido e o recebimento do sinal de eco. Em uma ressonância, geralmente, se usa a sequência de pulso spin eco. Nela, aplica-se um pulso inicial de radiofrequência de 90°, seguido de um pulso de 180° e então se coleta um eco. Outra possibilidade é o gradiente eco que troca o segundo pulso de 180° por um gradiente de campo magnético. Essa última é sensível para averiguar cálcio e depósitos metálicos. As imagens serão traduzidas da seguinte forma:


· T1 – Terá um TR curto e um TE curto. O sinal será elevado para gordura e agentes de contraste (gadolíneo) e baixo para água, edema, tumores ou hemorragias.


· T2 – Terá um TR longo e um TE longo. O sinal será elevado para a água, tumores, edema e hemorragias e baixo para gordura e agentes de contraste.


· FLAIR – Terá um TR e um TE ainda mais longo que o T2. É utilizado para anular, com base nos dados de T1, as imagens que contém fluidos (como o líquor), tornando essa sequência útil para avaliar esclerose múltipla ou infartos.


· PD – As sequências T1 e T2 são desativadas captando, somente, a densidade protônica.


· STIR – Sequência que anula o sinal produzido pela gordura, sendo útil para avaliar lesões como cistos dermóides ou lipomas.


Alguns outros termos também são comumente vistos em um laudo de ressonância. O termo flow void, por exemplo, vem do inglês e significa vazio de fluxo. Geralmente representa vasos de alto calibre em que o fluxo sanguíneo é tão rápido que o sinal de prótons não é captado e acaba sendo interpretado como “vazio”. É visto tanto em T1 quanto em T2 e mostra que a lesão ou a região é altamente vascularizada.


Portanto, podemos verificar que a ressonância promove diversas possibilidades para obter-se um diagnóstico mais acurado em neurociências. E seu entendimento colabora com um melhor e mais acurado uso do método como uma individualização que acaba por ser muito profícua para os pacientes.

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