• Rafael Oliveira

Patisiran e amiloidose hereditária transtirretina

  A amiloidose hereditária transtirretina é uma herança autossômica dominante, multissitêmica, progressiva causada por uma mutação no gene da transtirretina (TTR). O fígado é a primeira fonte de circulação dessa proteína. Com a evolução da mazela, pode ocorrer depósito amiloide em nervos periféricos, coração, rim e trato gastrointestinal, resultando em polineuropatia e cardiomiopatia. As alterações neuropáticas podem gerar déficit sensitivo motor significante com deterioração das atividades diárias. A sobrevida é de 2 a 15 anos após o inicio dos sintomas neurológicos e 2 a 5 anos nos pacientes com cardiomiopatia. Portanto, o prognóstico é ruim. Os tratamentos atuais envolvem transplante hepático ortotópico ou o uso de estabilizadores da transtirretina.

    Todavia, frente a essa desoladora evolução, um novo medicamento tem sido estudado para descortinar sua eficácia no controle da doença. Essa droga se chama patisiran. Trata-se de um agente terapêutico RNA dirigido hepaticamente que visa reduzir a produção da transtirretina mutante. Sua dose é 300 microgramas/kg EV a cada 3 semanas. Aconselha-se suplementação com vitamina A 2.500UI/dia durante o uso.

    Existe um ensaio clinico randomizado de fase III que se chama APOLLO e é o maior estudo sobre o uso de patisiran na amiloidose hereditária transtirretina com polineuropatia. Na randomização, foram distribuídos aleatoriamente 225 pacientes (1). Os critérios de inclusão foram:


· Idade entre 18 e 85 anos inclusive;

· Diagnóstico confirmado de amiloidose hereditária transtirretina com neuropatia

· Adequada função cardíaca

· Adequada função hepática

· Sorologias negativas para hepatites B e C

· Pontuação de impedimento de neuropatia (NIS) entre 5 a 130.


Os critérios de exclusão foram:


· Hipo ou hipertireoidismo não tratados

· HIV positivo

· Tumor maligno nos últimos 2 anos

· Uso atual de diflunisal, tafamidis, doxiciclina

· História de transplante hepático ou planejamento para tal


    A conclusão do estudo foi a seguinte: houve melhora da polineuropatia em pacientes que fizeram uso de patisiran. Foi verificado também melhora na qualidade de vida e na velocidade da marcha. Portanto, o ensaio clinico APOLLO verificou que o patisiran pode ser indicado em pacientes que preenchem certos requisitos com sucesso.

  Obviamente, mais estudos são necessários para suportar essa indicação. Todavia, já existe uma possibilidade plausível para doentes até então desacreditados e com prognóstico reservado.

    Vale ressaltar que o patisiran ainda não registrado na ANVISA para tal fim, não está disponível no SUS e não consta da lista do RENAME. Todavia, o FDA já aprovou esse fármaco para a mazela em questão nos Estados Unidos, sendo também aceito pela comissão europeia.

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Dr Rafael Oliveira
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