• Rafael Oliveira

Meu filho bateu a cabeça. O que devo fazer?



O traumatismo cranioencefálico (TCE) é extramamemnte comum, sendo causa considerável de morbimortalidade. Todavia, na maioria dos casos, o trauma craniano ocorre em situações corriqueiras não acarretando consequências mais significativas. Em vista da ausência de percepção do perigo as crianças são frequentemente vitimas dos mais variados traumatismos cranianos. Queda da cama, choque com objetos ou móveis e batidas em outras crianças são corriqueiras nessa fase da vida. Os pais, apreensivos, ficam estáticos frente a tal situação, não sabendo como conduzir da melhor forma esses comuns acidentes. Atordoados, passam a se questionar. Devo levar meu filho a um hospital? Pois bem. Entendendo essa habitual circunstância resolvi sistematizar algumas regras para facilitar o manejo dos empecilhos do lar por parte dos familiares.

1. PRIMEIRO PASSO: Acalmar a vitima. Isso facilitará o reconhecimento de algum déficit ou sinal que necessite avaliação médica imediata;

2. SEGUNDO PASSO: Definir o tipo de traumatismo craniano. Para questões domésticas esse pode ser dividido em dois tipos: com perda de consciência (desmaio) ou sem perda de consciência (desmaio). Caso tenha ocorrido desmaio por qualquer tempo, o paciente deverá ser conduzido de imediato a um hospital ou serviço de emergência para uma avaliação mais detalhada. Se não houve desmaio deve-se seguir para o terceiro passo;

3. TERCEIRO PASSO: Embora possa ocorrer o desenvolvimento a posteriori de lesões neuronais, se não houve desmaio após o TCE, provavelmente isso não acontecerá. Para maior garantia é importante manter a vitima sob observação domiciliar rigorosa pelas próximas 24 horas. Caso algum sinal ou sintoma abaixo passe a se sobressair, deve-se procurar de imediato um serviço de emergência. Tais orientações são as mesmas fornecidas em qualquer atendimento médico após um trauma craniano.

  • Sonolência anormal ou dificuldade para acordar (deve-se despertar o paciente a cada 2 horas de sono para se fazer tal avaliação);

  • Náuseas ou vômitos repetidos (desconsiderar um único episódio);

  • Convulsões;

  • Pupila (parte preta do olho) maior que a outra;

  • Fraqueza para mover a perna ou o braço inexistente antes do trauma;

  • Dor de cabeça intensa e progressiva;

  • Confusão mental ou alteração de comportamento.

Se nenhuma dessas alterações for verificada dentro de 24 horas após o trauma, provavelmente, o problema estará resolvido. É importante evitar nesse interim o uso de medicamentos fortes ( ex: derivados de morfina como codeína) pois eles podem sedar o individuo dificultando análise neurológica posterior. Lembre-se que o mais importante é manter a calma. Seguindo esse simples roteiro é possível evitar uma visita sem fundamento a um hospital com risco de contaminações desnecessárias. Além disso, você estará apto a contornar os comuns acidentes com TCE do dia a dia de uma criança.


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Dr Rafael Oliveira
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