• Rafael Oliveira

Você sabe como alimentar seu cérebro?



Atualmente, falar sobre alimentação está em alta. Existem inúmeras dietas que prometem perda considerável de peso, melhora da saúde cardiovascular e metabólica e garantia de uma superior qualidade de vida. Todavia, poucos especialistas enfocam ou falam a respeito de um órgão muito importante. Você sabe como alimentar seu cérebro?

Antes de mais nada eu gostaria de estabelecer, ou melhor quebrar, certos conceitos tão enraizados em nossa cultura médica e alimentar. As pessoas tendem a acreditar ou são literalmente induzidas a acreditar que intervenções médicas se resumem a tratar mazelas estabelecidas. Em outras palavras, eu suspeito que tenho uma doença, vou até meu médico, esse me solicita alguns exames, chegamos a um diagnóstico e o médico me prescreve o tratamento. Todavia, poucos especialistas e leigos procuram conhecer com maior profundidade manejos que podem prevenir certas doenças. Certas associações como cigarro e câncer de pulmão ou sol e câncer de pele são bem propagandeadas. Mas é incomum buscar conexões entre nossos alimentos cotidianos e mazelas cerebrais. Será que elas existem ou nosso cérebro, esquecido e protegido pelo resistente crânio, é imune a tais interferências? Uma dieta saudável seria capaz de prevenir aflições encefálicas? Não é de se estranhar a falta de interesse entre a conectividade neuronal com a alimentação. O cérebro não fornece nenhum sintoma específico quando está sendo agredido pelo que comemos. Em outras palavras, ninguém sabe como caracterizar uma “indigestão” encefálica. Além disso, fomos acostumados a acreditar que a maioria das patologias que comprometem o Sistema Nervoso Central (SNC) são consequências genéticas, ou seja, já estamos pré programados a tê-las ou não. Todavia, pesquisadores têm, cada vez mais, descortinado uma relação indivisível, porém ignorada durante longos anos. O seu cérebro é o órgão mais afetado pelo que você come. Parece estranho, mas é a dura realidade. Precisamos, de uma vez por todas, modificar esses equivocados conceitos e entender que a alimentação é a chave para neurônios mais felizes. Comer bem vai muito além do interesse em perder peso ou proteger o Sistema Cardiovascular. Seu principal órgão exige que você compreenda o quanto antes tal afirmação.

A mídia e profissionais da saúde são quase unânimes em afirmar que a energia necessária para suprir as funções do SNC derivam da glicose. Essa por sua vez é obtida via ingesta de carboidratos. Portanto, parece óbvio que consumir carboidratos irá fornecer o substrato indispensável para manter o cérebro funcionante. Sem eles a dinâmica neuronal sucumbiria. Nesse linear raciocínio alguns pontos muito importantes são esquecidos. Primeiro. Quem disse que o encéfalo vive a base de glicose? Será que outras fontes energéticas não seriam capazes de suprir sua demanda? Segundo. Caso haja necessidade irrestrita de glicose, somente o consumo de carboidratos seria capaz de viabilizar esse elemento?

O cérebro é composto basicamente de gordura e água. Desse modo, suprimir a ingesta gordurosa sob qualquer pretexto irá privar esse órgão de um indispensável substrato estrutural. Aliás, estudos randomizados são contundentes em afirmar que a privação desse macronutrinte gera dificuldades de funcionamento neuronal (1). Pois bem. A gordura é fundamental para a formatação do SNC. Contudo, ela é capaz de fornecer energia para manter o cérebro ativo e eficiente? A resposta é sim. Um cérebro saudável consegue desempenhar com maestria suas funções retirando 70% da energia da degradação de ácidos graxos e 30% da quebra de glicose. Opa!!! Mesmo que eu coma mais gordura eu terei que consumir, também, carboidratos. Afinal, 30% da energia cerebral provém da glicose. Errado!!! A glicose não é obtida exclusivamente via consumo de carboidratos. Através de reações hepáticas, o corpo humano consegue a produzir modificando outras estruturas tais como os aminoácidos. Em outras palavras, o encéfalo é capaz de funcionar adequadamente sem a ingesta de carboidratos. Vale ressaltar que dietas cetogênicas, àquelas ricas em gorduras e pobre em carboidratos, são indicadas para o manejo de mazelas neuronais como a epilepsia (2, 3). Ou seja, fornecer gordura ao cérebro e suprimir a demanda de carboidratos fará com que esse impressionante órgão atue de modo mais satisfatório. Embora a resposta seja completamente antagônica as indicações dietéticas atuais, ela é irrefutável e real. Comer mais gordura e menos carboidrato fará sua cabeça mais feliz e saudável.


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Dr Rafael Oliveira
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