• Rafael Oliveira

A Atrofia Muscular Espinhal (AME) e Nusinersen



A Atrofia Muscular Espinhal (AME) representa uma mazela de origem genética (mutação no gene SMN1 no cromossomo 5q11) que causa fraqueza muscular, fasciculações na língua e comprometimento respiratório. Geralmente, é dividida em três subtipos: A AME I (Doença der Werdnig-Hoffman), a AME II e a AME III (Doença de Kugelberg-Welander). A primeira ocorre até os 6 meses de vida caracterizando a síndrome do bebê flácido. A sobrevida é pobre e, rotineiramente, os pacientes não ultrapassam os 2 anos de idade. A segunda começa entre os 6 e 18 meses e as crianças desenvolvem a habilidade de sentar. A maioria vive até os 20 a 30 anos de idade. A terceira dá-se após os 18 meses de idade, manifestando-se com dificuldade para subir escadas. Nesse tipo a expectativa de vida é normal. A patofisiologia da doença envolve a hipossuficiência da proteína SMN1 o que, por sua vez, desencadeia toda a sintomatologia nos indivíduos afetados. O diagnóstico definitivo é feito por análise genética. O tratamento era feito, somente, para manejo sintomático. Todavia, está sendo difundido e avaliado um novo medicamento capaz de intervir de forma impactante na melhora clinica e na sobrevida do doentes. Trata-se do nusinersen , um fármaco moderno que a ANVISA ainda não aprovou para uso no Brasil. A substância também não foi avaliada pelo CONITEC e não consta na lista no RENAME. A AME é uma mazela rara, portanto, não possui Protocolo Clinico e Diretrizes Terapêuticas para o seu manejo. Estudos vem sendo efetivados para definir a eficácia do nusinersen. Alguns deles apresentam resultados muito promissores, fato esse que estimulou o FDA a autorizar a prescrição da droga para pacientes com AME. O fármaco atua na produção da proteína SMN1, deficitária em pacientes com a aflição do neurônio motor. O tratamento deverá ser feito por tempo indeterminado, enquanto os efeitos positivos de mantiverem. Vale relembrar que a posologia preconizada é 12mg no diagnóstico, 12mg em 14 dias, 12mg em 28 dias e 12mg em 63 dias. Após, faz-se terapia de manutenção com 12mg a cada 4 meses. A via de administração é intratecal através de punção lombar.

O ensaio randomizado de fase III ENDEAR foi delineado em 2014 com 122 participantes portadores de AME I (menos de 6 meses de idade), avaliando os efeitos clínicos do nusinersen. Em 2016 o estudo alcançou suas metas. Houve melhora da sobrevida dos indivíduos afetados e melhora da condição motora (3). Tais resultados foram considerados uma esperança para uma patologia com desfecho, até então, sombrio. O estudo de fase III CHERISH também chegou a bons desfechos, corroborando com o ENDEAR (3). Todavia, avaliou 126 pacientes com prelúdio sintomatológico após os 6 meses de idade. Outro ensaio clinico randomizado concluiu que crianças que receberam nusinersen apresentaram melhora nas taxas de sobrevida bem como na capacidade motora. A terapia, quando instituída precocemente, maximiza os benefícios obtidos (1). Aliás, estudos aleatórios têm orientado que pacientes com AME de inicio tardio devem engajar no sistema terapêutico com nusinersen, visto que esses indivíduos também usufruem de melhora motora (2).

Portanto, dentro de uma mazela com prognóstico sombrio, o nusinersen tem demonstrado efetiva melhora clinica. Fale com seu médico procurando informes a respeito.


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Dr Rafael Oliveira
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