• Rafael Oliveira

Blefaroespasmo essencial. Já ouviu falar?



O blefaroespasmo essencial é uma distonia focal caracterizada por contrações involuntárias, espasmódicas e bilaterais dos músculos orbicular da pálpebra (porção orbital e palpebral pré-septal e pré-tarsal), corrugador, pró­cerus e depressor do supercílio. O quadro inicial é caracterizado por sintomatologia insidiosa e aumento da frequência do ato de piscar. Os espasmos tendem a se tornar cada vez mais intensos, fazendo com que haja dificuldade em manter os olhos efetivamente abertos. Muitos autores descrevem os pacientes nesse estágio como funcionalmente cegos. O blefaroespasmo pode ser agravado por claridade, estresse, fadiga, dirigir, ler e assistir televisão. Fotofobia e irritação ocular são queixas comuns. Como os olhos insistem em se fechar, a tentativa de mantê-los abertos causa diversas alterações palpebrais, tais como: dermatocálase, ptose palpebral ou dos supercílios, ectró­pio ou entrópio das pálpebras inferiores. Essas deformidades palpebrais secundárias à doença podem ser funcionalmente tão debilitantes quanto os espasmos em si. Vale relembrar também que o curso oscilante entre remissões e exacerbações é comum e durante a progressão pode haver o comprometimento dos músculos da região inferior da face ou de músculos cervicais.

O tratamento farmacológico é muito limitado, com pouca resposta. Geralmente, prescreve-se

antidepressivos, ansiolíticos, estimulantes, sedativos, parassimpaticomimé­ticos, antimuscarínicos, inibidores da síntese de catecolaminas, anti-histamínicos, anticonvulsivantes e antiparkinsonianos. O uso de toxina botulínica é a terapia de escolha para o blefaroespasmo. Todavia, os efeitos terapêuticos são temporários, necessitando novas aplicações após 12 a 16 semanas. O The Cochrane Database of Systematic Reviews publicou uma revisão onde concluiu que, embora não existam ensaios clinico randomizados de alta qualidade para apoiar o uso de toxina botulínica em blefaroespasmo, os estudos disponíveis mostraram beneficio clinico extremamente contundente, fato esse que torna difícil ou anti-ético submeter pacientes ao placebo em um ensaio mais controlado (1). Portanto, é a terapia de escolha.


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Dr Rafael Oliveira
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