• Rafael Oliveira

Antidepressivos e sexo. O que fazer?



Hoje em dia, muitas pessoas são afetadas por transtornos de ansiedade e pânico. Entretanto, devido a excepcional gama de anti depressivos disponíveis, o manejo tornou-se acessível e altamente satisfatório. Inicialmente, os pacientes relatam uma melhora surpreendente da sintomatologia. É como se os medicamentos devolvessem a indispensável capacidade de respirar. Contudo, com o passar do tempo efeitos adversos comuns passam a manifestar-se, criando novos e inesperados problemas em uma terapia de aparente sucesso.

Uma das queixas mais comuns refere-se a questão sexual. A drástica redução da libido bem como a extrema dificuldade de ejaculação ou de ereção passam a entravar uma necessidade prazerosa e saudável. Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (fluoxetina, paroxetina, sertralina, fluvoxamina, escitalopram e citalopram), ou simplesmente ISRS, são largamente prescritos para transtornos de ansiedade e pânico (1). Todos eles possuem diversos estudos randômicos demonstrando suas efetividades para tais circunstâncias (6, 7, 8, 9, 15). Curiosamente, sua prevalência de disfunção sexual varia entre os surpreendentes 25 a 73% (2). Em outras palavras, pode alcançar um nível altíssimo de dificuldades nessa área, acarretando novo desafio para os portadores de tais condições. Os inibidores da recaptação de norepinefrina e serotonina, como a venlafaxina, também podem ser úteis no combate a tais injúrias (10). Todavia, seus índices de disfunção sexual postam-se nos catastróficos 58 a 70% (2). Os antidepressivos tricíclicos, tais como a imipramina e a amitriptilina, possuem taxas mais aceitáveis de interferência na questão sexual, sendo essa de, mais ou menos, 30% (2). Além disso, estudos randomizados demonstram que sua efetividade para ansiedade e desordem do pânico assemelha-se a dos ISRS, sendo uma alternativa viável para pacientes que desenvolvem esses entristecedores efeitos adversos (5). Uma grata surpresa ficou por conta dos inibidores da receptação de norepinefrina, que tem por maior exemplo a reboxetina. Suas taxas de complicações sexuais foram de, aproximadamente, 5 a 10% (2), além de serem substâncias efetivas para tais mazelas (14). Baixas quando comparadas a grande maioria dos outros fármacos. Embora a paroxetina aparente ser mais efetiva no controle dos sintomas de pânico (12), seus efeitos para essa desordem, juntamente com a ansiedade, foram satisfatórios e comprovados. Aliás, a reboxetina parece ter destacada utilidade para controle desses “ataques” em pacientes refratários ou com efeitos adversos aos ISRS (13). Portanto, trata-se de uma interessante opção em indivíduos acometidos por embaraços sexuais. Uma outra opção destacada pelo The Cochrane Database of Systematic Reviews é associar, para homens com disfunção erétil, sildenafil e, para mulheres, bupropiona (3). Fato é que existem alternativas viáveis para contornar tais indesejadas complicações. Afinal, o sexo é indispensável para todos nós.


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Dr Rafael Oliveira
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