• Rafael Oliveira

Tratamento das Malformações Arteriovenosas (MAV)



A inquietude médica gera posturas agressivas frente as mais diversas patologias. Tendemos a optar, na maioria dos casos, por procedimentos invasivos, imaginando que extrair mal formações, tumores ou outras variações anatômicas é a chave para o sucesso clínico. A mal formação arteriovenosa (MAV) é uma alteração vascular que afeta o Sistema Nervoso. Para reduzir o fluxo sanguíneo sem maiores contratempos, as artérias e as veias devem ter, interpostos, os capilares. Esses diminuem a pressão arterial transpondo o sangue, sem intercorrências, para o sistema venoso. Caso haja uma conexão direta artéria-veia configura-se a MAV. Durante todo minha formação médica foi-me passado por livros e mestres a necessidade de intervir precocemente nessa circunstância para evitar calamitosas consequências. Aliás, uma revisão sistemática do The Cochrane Database of Systematic Reviews de 2010 postava-se categoricamente frente a essa injúria vascular. Em outras palavras, não apoiava nem desaconselhava os procedimentos invasivos pelo simples fato de inexistir ensaios controlados avaliando as possíveis condutas (3). Com isso, perpetuara o manejo mais agressivo transferido aos alunos nas mais variadas escolas médicas.

A mudança de conceito terapêutico para MAV’s não rotas veio através de um estudo chamado de Randomized Trial of Unruptured Brain Arteriovenous Malformation, ou, simplesmente, ARUBA (2). Suas controversas conclusões demonstraram que, muitas vezes, alterações que não representam a configuração encefálica dita normal devem ser acompanhadas, por mais que o impulso médico avance em sentido contrário (2). O estudo envolveu 223 participantes, sendo que a randomização foi, literalmente, suspensa devido à superioridade evidenciada com o manejo expectante, ou seja, medicamentos para sintomas neurológicos quando necessário (5). O ARUBA foi enfático em afirmar que o acompanhamento médico é atitude mais aconselhada do que terapias intervencionistas (cirurgia, embolização ou cirurgia estereotáxica) em MAV’s não rotas para prevenir desfechos letais ou acidentes vasculares cerebrais (5). Talvez, em malformações pequenas e não rotas ( graus 1 e 2 de Spetzler e Martin) em pacientes com alta expectativa de vida possa-se indicar a radiocirurgia estereotáxica (1, 4). Todavia, segundo o único delineamento randomizado sobre o tema, observar ambulatorialmente não á atitude equivocada.

Dessa maneira, impulsos médicos devem sucumbir quando a ciência posta-se antagônica a estímulos intervencionistas. A incondicional vontade de ajudar os pacientes, muitas vezes, podem estar agregada e riscos e complicações.


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Dr Rafael Oliveira
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