• Rafael Oliveira

A oxcarbazepina, o famoso Trileptal



Diversos anti-convulsivos surgem diariamente taxados de paladinos do controle da epilepsia. Altas doses de medicamentos bem como intermináveis associações dificultam a aderência a tratamentos consagrados e os pacientes anseiam por um fármaco capaz de facilitar a difícil tarefa de manter corretamente uma terapia crônica e indispensável.

A oxcarbazepina é um anticonvulsivo estudado desde a década de 1960, mas com liberação para uso em meados dos anos 2000. Sua eficácia vem sendo, rotineiramente, comparada a tradicionais drogas para epilepsia como a sua parente próxima carbamazepina. O The Cochrane Database of Systematic Reviews afirmou que ambas possuem a mesma eficiência como substâncias anti-convulsivas, fato esse que não justifica a prescrição da oxcarbazepina, fármaco conhecidamente mais caro (1). Uma outra revisão sistemática a comparou com a fenitoína. Novamente, os dados não foram entusiasmantes para o moderno medicamento. Não foi possível afirmar que exista vantagens sobre o costumeiro hidantal (2). Esse estudo ainda destacou que a carbamazepina é considerada a primeira escolha para crises parciais e o valproato para generalizadas (3). Um delineamento randomizado definiu que o valproato de sódio e a oxcarbazepina não demonstraram diferença estatística no controle clinico quando prescritos como monoterapia em crises parciais com ou sem generalização ou em crises tônico-clônicas generalizadas (4). Portanto, como definiu o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas publicado pela Portaria 1.319 de 25 de novembro de 2013, a oxcarbazepina, por ausência de comprovação de superioridade, não substitui fármacos tradicionais no combate à epilepsia.


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Dr Rafael Oliveira
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