• Rafael Oliveira

Ventilação não invasiva para esclerose lateral amiotrófica. Funciona?



A esclerose lateral amiotrófica (ELA) refere-se a uma patologia neurodegenerativa, sem cura, que levará seu portador ao óbito, indubitavelmente. A sobrevida média é de 5 anos, sendo que pacientes com comprometimento orofaringeano não passam, geralmente, de 3 a 4 anos. Os tratamentos disponíveis não são muito satisfatórios, o que leva a incessante busca por alternativas que possam melhorar, ao menos, a qualidade de vida dos portadores dessa terrível condição. Como uma das principais causas de morbi- mortalidade da doença engloba a paralisia dos músculos vinculados aos movimentos respiratórios, grande parte dos pacientes acabam necessitando de ventilação mecânica. Fato é que tal situação dificulta a alta hospitalar, privando o indivíduo do importante convívio com os familiares na vigência dessa desestabilizante circunstância. Além disso, as infecções respiratórias tornam-se frequentes e perigosas, podendo debilitar ainda mais o doente. Desse modo, passou a cogitar-se a implementação da ventilação não invasiva através de pressão positiva com máscaras faciais ou nasais (BIPAP). Isso, em tese, permitiria o manejo domiciliar e reduziria os índices de complicações vinculados à respiração invasiva. Os estudos disponíveis sobre o tema ainda não encontraram um ponto comum em seus desfechos que possa-se, indubitavelmente, indicar tal conduta. Uma revisão sistemática com, somente, estudos observacionais concluiu que o uso de BIPAP desempenha efeito benéfico na qualidade de vida dos portadores de ELA (1). Essa idéia foi corroborada por outra meta-análise com delineamentos observacionais e um randomizado, fortalecendo tal manejo (2). Todavia, um ensaio randômico com 54 pacientes não mostrou benefícios ao usar-se BIPAP nessa situação (3). Fato é que, ainda, refere-se a uma doença sem cura onde a pobreza terapêutica torna a qualidade de vida dos pacientes ainda pior. Talvez, em casos específicos e muito bem selecionados o uso de ventilação não invasiva possa ser indicado. No entanto, trata-se de uma conduta que não deve ser generalizada pela falta de sustentáculo científico definitivo.


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Dr Rafael Oliveira
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