• Rafael Oliveira

Existe cura para esclerose lateral amiotrófica?



A esclerose lateral amiotrófica (ELA) refere-se a uma patologia neurodegenerativa, sem cura, que levará seu portador ao óbito, indubitavelmente. A sobrevida média é de 5 anos, sendo que pacientes com comprometimento orofaringeano não passam, geralmente, de 3 a 4 anos. Os tratamentos disponíveis não são muito satisfatórios, o que leva a incessante busca por alternativas que possam melhorar, ao menos, a qualidade de vida dos portadores dessa terrível condição. Vários fármacos e aditivos em cápsulas têm sido empregados na tentativa de frear a evolução dessa debilitante injúria. Todavia, o sucesso ainda está distante o que conduz a inevitável frustração do médico e, principalmente, do paciente.

O ubiquinol ou coenzima Q10 (CoQ10) é um cofator essencial na cadeia respiratória mitocondrial e vem sendo empregado como suplemento dietético. Alguns especialistas têm prescrito tal substância em casos específicos de ELA. Porém, ensaios randomizados não confirmam os supostos benefícios de tal droga (1). Inclusive, trata-se de um medicamento custoso financeiramente ao usuário sem confirmação clinica de minguados benefícios. Outros elementos também rotineiramente aconselhados são o hormônio do crescimento (GH) ou somatropina e o fator de crescimento semelhante à insulina (IGF1). Mais uma vez os estudos gabaritados desaconselham a instituição dessas substâncias (2, 3). Aliás, o The Cochrane Database of Systematic Reviews é enfático em seus desfechos afirmando não existirem evidências que sustentam o IGF1 em ELA. A creatina é um aminoácido largamente presente nos músculos e no cérebro. Cogitou-se possíveis benefícios de seu uso em doenças degenerativas. Contudo, a literatura conceituada não fornece respaldo significativo para o seu uso (4, 5). Em uma revisão sistemática foram avaliado alguns anti-oxidantes, partindo-se do pressuposto que o controle de radicais livres poderia exercer algum benefício clínico nessa debilitante agressão neurológica. Infelizmente, a ingesta corriqueira das vitaminas C e E não foram efetivas no controle da ELA (6). A gabapentina, um análogo do GABA, foi, conforme o The Cochrane Database of Systematic Reviews, totalmente ineficiente para o tratamento dessa patologia (7).

Apesar de incontáveis tentativas médicas, os resultados encontrados são deficientes para proporcionar uma melhor qualidade de vida aos portadores de ELA. Desse modo, é evidente que trata-se de uma injúria nervosa com péssimo resultado terapêutico, onde qualquer intervenção farmacológica, com exceção do riluzole, refere-se a uma escolha médica pessoal sem sustentáculo científico.


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Dr Rafael Oliveira
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