• Rafael Oliveira

Hipertensão intracraniana idiopática



Muitas patologias neurocirúrgicas são difíceis de denominar adequadamente. Entre elas, destaque para a hipertensão intracraniana idiopática ou pseudotumor cerebral (1). Trata-se de uma condição onde ocorre aumento da pressão intracraniana (PIC) na ausência de uma massa ou infecção cerebral por causa desconhecida (1). O diagnóstico é feito por exclusão quando exames investigativos como a ressonância, tomografia e análise do líquor estão normais e a clínica de PIC elevada é exuberante. Geralmente, os pacientes queixam-se de cefaléia (mais comum), alteração visual e diplopia. Os sinais mais frequentes são edema de papila (em quase 100% dos casos) e déficit do nervo abducente. Para colaborar com a difícil tarefa de chegar-se a esse diagnóstico, foram propostos por Dandy certos critérios para definir-se tal patologia. É necessário, ao menos, um sinal ou sintoma referente a aumento da PIC, pressão de saída de liquor após punção lombar elevada (maior que 20cmH2O) sem alteração na bioquímica e ventrículos normais ou reduzidos no exame de imagem.

O tratamento inicial é medicamentoso com a prescrição de acetazolamida 125mg três vezes ao dia ou topiramato 200mg duas vezes ao dia, mesmo que o The Cochrane Database of Systematic Reviews não recomende, indubitavelmente, tal conduta (2). Vale salientar que os dois fármacos possuem semelhantes resultados clínicos (3). O uso de corticóide (prednisona 40-60mg ao dia por 2 semanas) pode colaborar em casos de difícil manejo. Caso torne-se situação refratária, procedimentos invasivos podem ser indicados. A primeira opção são as punções lombares seriadas com retirada de, mais ou menos, 30ml de liquor. Vinte e cinco porcento dos pacientes melhoram na primeira punção, mesmo que ainda não exista explicação técnica plausível para esse acontecimento (1). Outras alternativas são o shunt lombo-peritoneal ou o shunt ventricular, caso haja contra-indicação ao anterior.

Desse modo, é cristalino que trata-se de uma condição diferente, porém com bom arsenal terapêutico e adequada resposta clinica. Vale relembrar que, em muitos casos, refere-se a uma circunstância auto-limitada, requerendo, somente, acompanhamento ambulatorial. Caso haja mais alguma dúvida, entre em contato ou procure seu médico.


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Dr Rafael Oliveira
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