• Rafael Oliveira

Pilates é bom para a coluna?



Dor lombar é uma das queixas mais comuns em um consultório de neurocirurgia. Trata-se de uma circunstância, muitas vezes, limitante e de difícil tratamento, visto que esse vai depender, exclusivamente, da aderência do paciente. Quero deixar muito cristalino que intervenções cirúrgicas não proporcionam instantânea mágica. Devem ser resguardadas para situações muito específicas e, após a consolidação, é indispensável a participação do doente no seguimento da terapia.

A grosso modo, podemos dividir as lombalgias em dois tipos : ciática e dor osteo-muscular. A primeira representa pequeno percentual dos casos e dá-se secundária à compressão de uma raiz nervosa. Geralmente, a abordagem é cirúrgica. Todavia, há indiscutível necessidade de reforço muscular pós-operatório. A segunda engloba a grande maioria das situações. Representa as atrofias e contraturas musculares, bem como desgaste ósseo, articular e discal. A terapia é, comumente, conservadora. Nesse ponto destaco a maior dificuldade em obter-se bons resultados. Em virtude das dúvidas e falta de conhecimento, os portadores de dor osteomuscular não aderem adequadamente ao tratamento. O equívoco de acreditar no milagre cirúrgico faz com que inúmeras pessoas ignorem o passo mais importante no controle dessa desagradável condição. Assim, é de suma relevância esclarecer como funciona a terapia conservadora. Isto poderá ser fator decisivo na incorporação definitiva dos pacientes. De modo geral, é indispensável que faça-se exercícios que possibilitem um adequado reforço da musculatura paravertebral. Um arcabouço forte e resistente servirá para combater as doloridas contraturas (os famosos nós) e para prevenir novos processos álgicos. Isto posto, a escolha da atividade física é fundamental para o sucesso terapêutico.

Atualmente, existem diversas possibilidades bem plausíveis e acessíveis que podem contribuir de forma muito efetiva no controle álgico. O pilates é uma ótima alternativa para esses casos. Inclusive, revisões sistemáticas são enfáticas em afirmar que esse tipo de exercício promove grande melhora funcional e da dor em pacientes com lombalgia (1). O The Cochrane Database of Systematic Reviews também defende o uso de tal terapia nesses casos (2). Desse modo, refere-se a uma ótima alternativa para a grande maioria das indicações. Além disso, a facilidade de acesso colabora muito com tal opção. Outra possibilidade válida são os exercícios aquáticos. Esses também possuem boa efetividade para melhora álgica e funcional do lumbago (3).

Fato é que o principal ingrediente para um tratamento satisfatório é uma boa dose de dedicação por parte do doente. E, para isso, ter acesso a um profissional qualificado para orientar durante tal exaustivo processo é ato profícuo para um melhor resultado e manutenção a longo prazo do tratamento. Consulte seu médico para esclarecimentos. Ele poderá indicar-lhe o local mais adequado para exercitar sua coluna.


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Dr Rafael Oliveira
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