• Rafael Oliveira

Evolução no diagnóstico de Doença de Parkinson



A Doença de Parkinson é uma condição muito conhecida, difundida e temida. Possui considerável frequência em nosso meio, sendo evolutiva e altamente debilitante. Seu diagnóstico é, basicamente, clínico. Isso faz com que pacientes com situações precoces sejam subdiagnosticados e outras doenças com sinais e sintomas semelhantes tornem-se super-valorizadas e, consequentemente, mal tratadas. Fato é que novos exames vêm surgindo com impressionante capacidade diagnóstica para suprir a carência de estudos complementes mais definitivos em tais casos. Para compreender o funcionamento dessas evoluções tecnológicas, é de suma importância entender a fisiopatologia de tal debilitante condição.

Os primórdios do Parkinson envolvem a destruição seletiva de neurônios dopaminérgicos localizados na substância negra. Tais células nervosas são as responsáveis pela produção do neurotransmissor conhecido por dopamina, substância de fundamental importância no mecanismo de nossos movimentos. Ao ser produzido, tal elemento é conduzido célula a célula até atingir seu objetivo final. Caso esse trajeto seja, de algum modo, interrompido, desarranjos grosseiros podem ocorrer em nosso organismo. E, na doença em questão, as principais manifestações clínicas são tremor de repouso, rigidez e bradicinesia. Para a dopamina efetuar sua trajetória de modo adequado, ela recebe a ajuda de um elemento chamado de transportador dopaminérgico, ou, simplesmente, TDA. Ele é o responsável por conduzir o neurotransmissor através das células. Estudos verificaram que em pacientes com Doença de Parkinson, a quantidade de TDA está reduzida, principalmente a nível do putâmen. Esse último é um núcleo da base francamente envolvido na complexa engrenagem do movimento. Inclusive, é possível verificar a diminuição desse transportador em indivíduos que ainda nem desenvolveram clinicamente a patologia.

Munidos do entendimento de tal fisiologia, pesquisadores descobriram substâncias, denominadas de traçadores, capazes de ligar-se ao TDA. Assim, tornou-se possível verificar sua quantia em áreas consideradas críticas em pacientes com Parkinson. Um desses elementos, e o mais usado, chama-se TRODAT-1 marcado pelo tecnésio 99 (99mTc). Após a administração de tal composto e a posterior realização de uma tomografia por emissão de fóton único (SPECT) ou cintilografia cerebral é possível reconhecer a quantidade atuante de TDA no putâmen. Caso tal valor esteja reduzido, combinado com a clínica, o diagnóstico dessa debilitante patologia pode ser feito de maneira muito mais fidedigna e precoce.

Desse modo, o SPECT [99m Tc] TRODAT-1 ou a cintilografia cerebral com [99m Tc] TRODAT-1 surgiram como importantes ferramentas para o descortinamento dessa debilitante e temida patologia.


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Dr Rafael Oliveira
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