• Rafael Oliveira

Devo comer glúten?



Acho algo muito válido discutir sobre a ciência. Agora, fazer piada com o conhecimento considero um pouco demais. Existem inúmeros embates que tentam esclarecer a real atuação do glúten a nível orgânico. Uns especialistas defendem tratar-se de uma substância que deve, terminantemente, ser evitada. Outros a consideram inócua ao metabolismo e destacam que sua ingesta favorece a palatibilidade dos alimentos. Até ai tudo bem. Mesmo que eu tenha convicção que a principal proteína do trigo é um elemento que deva ser evitado, respeito, mesmo que tenham pouco embasamento, as opiniões contrárias. Cada individuo tem o direito de conduzir sua vida como bem lhe convier.

Fato é que hoje, em uma chamada em um programa televiso, chamou-me a atenção uma reportagem que avaliava, embasada nos resultados de um trabalho, os benefícios de ingerir-se glúten. Fui pesquisar o artigo citado e sua composição, bem como os resultados, são risíveis. Me admira um periódico autorizar a publicação de páginas da mais pura anti-ciência. Inicialmente, não trata-se de um estudo randomizado. Deixando esse “pequeno” detalhe de lado, resolvi avaliar como essa jóia literária foi concebida. Diziam os autores que as pessoas que aderiam a dietas sem glúten aumentavam sua exposição a metais tóxicos. Isso ocorria pelo simples fato de que o principal substituto do trigo nesses estilos dietéticos é o arroz. E a farinha desse cereal é rica em arsênico e mercúrio. Desse modo, concluíram que adotar uma dieta sem glúten elevaria os níveis orgânicos desses metais pesados (1). Para a verdadeira ciência esse tipo de estudo é um tremendo desfavor. Em primeiro lugar, condicionar a retirada do glúten à ingesta desse perigoso arroz não reflete a atuação orgânica da proteína do trigo. Tal substância é altamente danosa ao nosso corpo, sendo que esses efeitos não serão eliminados só porque iremos ingerir algo mais tóxico. Obviamente, evitar o glúten e ingerir veneno é algo mais agressivo do que manter uma dieta rica em trigo. Quando opta-se por abolir essa proteína da alimentação não imagina-se substituí-la por algo mais peçonhento. E idéia é única e exclusivamente evitar o contato do nosso tubo digestório com um elemento passível de desencadear reações inflamatórias. Cogitar o contrário representa total ignorância. Assim, devemos ser criteriosos no momento de selecionar ou levar em consideração artigos científicos. Até mesmo um boa revista pode publicar algo totalmente estapafúrdio e não condizente com a realidade metabólica.


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Dr Rafael Oliveira
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