TONTURAS E VERTIGEM

O que são tonturas e vertigem?

     As tonturas são uma queixa rotineira em consultórios médicos. Entretanto, pela dificuldade de confirmação técnica e, muitas vezes, de identificação do próprio paciente é um sintoma muito vago. Inclusive, possui diferenciações difíceis de serem obtidas na prática clínica. Desse modo, acho de suma importância diferenciar duas condições vistas nesse grupo : as tonturas e a vertigem.

* Tonturas : Geralmente o paciente refere confusão mental, sensação contínua de desfalecimento e pré-síncope, ou seja, sensação de desmaio eminente.

* Vertigem : Sensação de rotação e desequilíbrio. É como se estivesse dentro de um ventilador em movimento.

Por uma questão didática podemos dividir os casos de tonturas e vertigens em três tipos:

 

  • Síndromes Vestibulares Periféricas

 

  • Síndrome Vestibular Central

 

  • Tontura Propriamente Dita

 

Síndromes Vestibulares Periféricas
  • Vertigem de Posicionamento Paroxística Benigna (VPPB) – Vertigem rotatória de curta duração desencadeada por movimentos rápidos da cabeça como extensão e flexão. No exame físico pode ocorrer nistagmo de posicionamento vertical para cima. O tratamento é feito com a manobra de Epley.

 

  • Doença de Meniere – Caracterizada pela tríade: ataques recorrentes de vertigem, déficit auditivo ipsilateral flutuante com zumbidos e pressão no ouvido do lado comprometido. Durante a crise é possível verificar ao exame físico nistagmo horizontal rotatório. O tratamento é feito com betaistina ou diurético.

 

  • Neurite Vestibular – Caracterizada por vertigem súbita e intensa associada a náuseas ou vômitos estando geralmente associada a uma infecção viral. Ausência de queixas auditivas. O exame físico pode apresentar nistagmo e desequilíbrio. Auto limitada. O tratamento pode ser feito com reabilitação labiríntica.

 

  • Paroxismia Vestibular – Ataques curtos e frequentes de vertigem rotatória desencadeados por movimento da cabeça. O tratamento pode ser feito com carbamazepina ou fenitoína.

 

  • Vestibulopatia Bilateral – Caracterizada por desequilíbrio e oscilopatia. O Tratamento é feito com reabilitação labiríntica.

 

  • Labirintite ou Labirintopatia

Síndrome Vestibular Central

     A Síndrome Vestibular Central deve-se geralmente a uma doença neurológica que pode ser diagnosticada através de exames apropriados. Clinicamente, pode se manifestar com vertigem, às vezes náuseas e vômitos, mas, comumente, se identifica algum tipo de déficit neurológico associado. O nistagmo de uma Síndrome Vestibular Central geralmente é vertical e, em alguns casos, exclusivamente rotatório. Tais característica não são encontradas em síndromes periféricas. Tende a manifestar-se por períodos mais prolongados e, normalmente, vem acompanhada de outros sintomas neurológicos. A parte mais comumente afetada do SNC quando ocorre vertigem é o cerebelo. Esse está localizado na nuca. Possui funções como equilíbrio, coordenação e caminhar. É mais comum, quando ele sofre alguma injúria, se ver um quadro definido por Síndrome Cerebelar. Nessa, não ocorre vertigem isolada, mas tal sinal acompanhado de incoordenação e dificuldade para deambular. Para o diagnóstico é necessário realizar um exame de imagem, como a ressonância de encéfalo. Não poderia deixar de comentar sobre uma patologia bem frequente que muitos associam com a coluna vertebral que também pode causar tontura. Chama-se Insuficiência Vertebro Basilar. Para melhor compreensão, vamos analisar brevemente a anatomia da coluna cervical. Existem sete vértebras nessa região. Elas são compostas por uma parte conhecida por corpo. Nesse local, repousa o disco intervertebral que funciona como um amortecedor. O corpo é ligado ao arco vertebral, formando, assim, o canal vertebral. Em tal região fica localizada a medula. Nas laterais da estrutura podem ser vistos dois pequenos orifícios, chamados de forames transversos. Nesses corre a artéria vertebral. Essa terminará no cerebelo, levando nutrientes através do sangue para que ele execute suas atividades de forma adequada.

     Observe, então, que os vasos responsáveis por alimentar as funções do cerebelo são envoltos por tecido ósseo. Caso ocorra degeneração da coluna, os forames transversos podem ter sua área reduzida. Com isso, a artéria vertebral é estreitada. Menos sangue seguirá para o cerebelo. E suas funções ficarão abaladas, surgindo, desse modo, as tonturas. Uma característica marcante dessa situação é a piora do quadro quando se movimenta a cabeça, principalmente para cima. O diagnóstico é, basicamente, clínico. Hoje em dia existem exames que demonstram a deficitária circulação sanguinea na região. Mas não são utilizados de rotina.

Tontura propriamente dita

     A tontura propriamente dita é caracterizada por sensação de desfalecimento, confusão mental e pré síncope. De modo geral, está associada a problemas cardiológicas ou a condições que afetam a pressão arterial, como medicamentos. Nessas circunstâncias deve-se procurar um médico cardiologista.

Tratamento

     O tratamento possui íntima associação com a causa. Tonturas vestibulares podem ser tratadas com terapia medicamentosa ou reabilitação vestibular. Vertigens neurológicas possui ampla gama de terapias. Vai depender muito do diagnóstico. E, para a insuficiência vertebro basilar, exercícios de reforço da musculatura paravertebral são de grande valia. Caso você possui alguma situação semelhante, marque já sua consulta.

Rafael Oliveira - Médico Neurocirurgião e Cirurgia de Coluna

Porto Alegre - RS

Dr Rafael Oliveira
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