• Rafael Oliveira

Qual o melhor método de tratamento para o canal vertebral estreito lombar?


Canal vertebral estreito lombar

     Tratar um paciente com canal vertebral estreito lombar sintomático é sempre um desafio. A tentativa de barrar a evolução da mazela nem sempre condiz com os resultados clínicos esperados. Além disso, muitas discussões surgem no momento de definir qual a técnica cirúrgica ideal para corrigir tal distúrbio: Descompressão com fusão ou somente a descompressão tradicional. Ou seria mais prudente optar pela terapia conservadora? Os especialistas tem suas opiniões divididas. Mas o que a ciência diz a respeito do assunto?

    Sempre é difícil conceber um ensaio controlado quando se trata de avaliar modalidades cirúrgicas. Isso se deve ao fato de que os cirurgiões são diferentes, agem de formas diferentes e de comportam de modo diferente inclusive no momento de efetivar a mesma técnica cirúrgica. Todavia, podemos ter algum diretório científico com a literatura disponível. Antes alguma ciência do que nenhuma. Em novembro de 2016 o The Cochrane Database of Systematic Reviews publicou uma revisão onde os autores analisaram as opções para tratamento de canal vertebral estreito lombar. As conclusões pontuam de forma direta que ainda não existe nenhum estudo comparando cirurgia versus tratamento conservador (1). Portanto, ainda não se pode afirmar embasado em ECR que algumas dessas duas possibilidades seja mais vantajosa. Entretanto, a mesma revisão destaca que as técnicas de descompressão associadas a materiais de fusão não se mostraram superiores a descompressão tradicional sem fusão (1).

    Uma outra revisão sistemática também de 2016 comparou duas formas de abordagem para tratamento de canal vertebral estreito. Cirurgia versus terapia conservadora. Os autores não destacam nenhum estudo que possa definir qual o melhor caminho entre os dois. Porém, relatam que o índice de complicações cirúrgicas varia entre 10 a 24% fato esse que deve ser levado em consideração no momento de indicar um procedimento invasivo (2).

   Um estudo publicado na revista PLos One em 2015 comparou descompressão com fusão versus descompressão sem fusão no tratamento de canal vertebral estreito. A conclusão foi que a primeira modalidade cirúrgica não foi superior a segunda (3). O mesmo artigo ressalta que os conhecidos espaçadores interespinhosos geram taxas de reoperação maiores que descompressão óssea isolada. Desse modo, em vista das evidências citadas alguns pontos podem ser observados.


1) Procedimentos onde a fusão é feita englobam maior tempo cirúrgico e, consequentemente, maior risco de infecção pelo simples fato de demandaram próteses.


2) Terapias conservadoras evitam riscos cirúrgicos mas não são capazes de resolver a hipertrofia óssea e ligamentar.


Assim, obviamente analisando caso a caso.


1) Alguns pacientes necessitarão de procedimento cirúrgico em prol de terapias conservadoras, visto que ainda não existem estudos que definam vantagem de alguma dessas modalidades em relação a outra.


2) Quando a cirurgia está indicada, a descompressão cirúrgica simples parece mais vantajosa que a descompressão com fusão.


    Vale relembrar que a consulta médica é indispensável para avaliar um caso em específico, mas a ciência deve sempre nortear qualquer conduta técnica.

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Dr Rafael Oliveira
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