• Rafael Oliveira

Manifestações Neurológicas da COVID19


Manifestações Neurológicas da COVID19
Manifestações Neurológicas da COVID19

Com a pandemia de SARS COV2 diversos pacientes têm se queixado de sintomas neurológicos pós resolução da infecção. Além disso, algumas manifestações neurológicas também tem sido usadas como auxiliar diagnóstico da COVID19. Com isso, estudos têm sido feitos com o intuito de descortinar qual o método viral para infectar o Sistema Nervoso Central (SNC) e causar tais alterações. Antes de mais nada, é de fundamental importância conhecer as possibilidades de como o corona vírus pode intervir em uma célula. O passo inicial para o vírus infectar uma célula humana é o contato com o receptor humano da enzima conversora da angiotensina I 2 (ACE2). A partir dai, três mecanismos ganham destaque quando se fala no SNC:


· O SARS COV2 pode entrar no SNC via bulbo olfatório, até porque o epitélio olfatório é enriquecido com receptores ACE2;


· O vírus pode infectar o SNC por via hematogênica, ligando-se ao receptor ACE2 expresso em células endoteliais dos vasos sanguíneos cerebrais;


· O vírus pode infectar os terminais nervosos do nervo vago, localizados no sistema respiratório e digestivo.


Após a invasão do SNC, o SARS COV2 pode ser o responsável por diversas condições.


· Sintomas inespecíficos – Segundo relatórios recentes, 1/3 dos pacientes com COVID19 se queixam de tontura, cefaleia, perda de consciência e convulsões. Esses sintomas inespecíficos podem ser secundários a tempestade de citocinas (1, 2, 3);


· Meningite e encefalite (4, 5, 6);


· Acidente vascular cerebral (AVC) – Geralmente é um evento tardio da infecção e é mais frequente em pacientes com insuficiência respiratória grave. Supõe-se uma atuação do vírus no sistema vascular cerebral (7). Além disso, existe a possibilidade de AVC pós SARS COV2 devido a distúrbios da coagulação. Outro fato é que os pacientes com AVC têm risco três vezes maior de morte por COVID19 (8);


· Neuropatia craniana – Cerca de 85 a 88% dos pacientes com COVID10 desenvolvem disfunção olfatória e gustativa (10) e sua presença pode predizer um curso mais brando da doença (9);


· Neuropatia periférica – Devido a lesão direta do vírus nos nervos periféricos (7);


· Miopatia – Lesão da musculatura esquelética com aumento de CPK (7);


· Sindrome de Guillain Barré – Pode ser a primeira manifestação da COVID19 se apresentando como um quadro parainfeccioso (11);


· Manifestações comportamentais – Ainda existem poucos relatos das manifestações comportamentais do SARS COV2 mas se supõe que possa existir confusão, depressão, ansiedade, perda de memória, insônia, assim como o SARS COV1.


Percebe-se, assim, que a gama neurológica é vasta, variando de condições mais suaves até drásticas mazelas cerebrais. Fato é que o diagnóstico e a intervenção precoces em tais situações neuronais podem favorecer um melhor desfecho.

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