• Rafael Oliveira

PTH e terapias com altas taxas de vitamina D



Geralmente, a terapia com doses baixas de vitamina D é extremamente segura. A intoxicação é improvável e problemas renais são mais raros ainda. Hoje em dia, vários médicos têm prescrito altas doses da substância para manejar doenças auto-imunes que não dispõem de tratamentos efetivos e definitivos. Apesar de ser conduta com poucos efeitos adversos, deve-se tomar certos cuidados para não influenciar de modo grosseiro e pernicioso o cálcio sérico.

Para compreender essa dinâmica é indispensável avaliar o funcionamento do paratormônio (PTH), produto das glândulas paratireoides. Trata-se de um elemento que tem por função retirar o cálcio dos ossos e liberar na circulação. Portanto, quando os níveis de tal mineral encontram-se baixos, as taxas de PTH aumentam. Na verdade, é um antagonista da hipocalcemia. A vitamina D, outra ilustre componente desse circuito, age aumentando a absorção intestinal de cálcio. Por conseguinte, deve desativar a síntese e a secreção de PTH, visto que não há necessidade de depletar o cálcio ósseo na vigência de uma satisfatória captação do mineral a nível do trato gastrointestinal. Portanto, o hormônio esteróide liga-se à paratireoide, inibindo as taxas de PTH. Sabe-se que o mal funcionamento renal interfere negativamente nos níveis de vitamina D. Portanto, o impedimento à secreção paratireoidea é removida e os níveis de PTH voltam a aumentar.

Em questões terapêuticas com altas doses de vitamina D deve-se atentar para certos parâmetros laboratoriais. A idéia do tratamento efetivo é reduzir os níveis de PTH para algo próximo ao limite de referência inferior (normal 10 a 65pg/ml). Como uma das principais complicações é a calcificação renal a excreção urinária de cálcio em 24 horas deve ser solicitada rotineiramente. Seus valores de referência normais giram em torno de 60 a 300mg/24 horas. Aconselha-se não ultrapassar a faixa de 250mg/24 horas. É importante salientar outros dois pontos. O paciente, na vigência da intervenção, deve evitar o consumo de produtos lácteos e deve ingerir, ao menos, dois litros de água por dia. Com esses cuidados, a terapia com vitamina D tornar-se-á mais segura e satisfatória.


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Dr Rafael Oliveira
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